1543 - 2015   471 Anos de História
Santa Casa da Misericórdia das Velas
figura 1
 
 
 
 
figura 2
 
 
 
 
figura 3
 
 
 
 
figura 4
 
 
 
 
figura 5
 
 
 
 
 

 
 
 
 
BANDEIRA PROCESSIONAL
 
 
 
Proprietário da peça: Santa Casa da Misericórdia das Velas, São Jorge
 
 
OBJECTO
 
Pintura de cavalete
 
 
IDENTIFICAÇÃO DA PEÇA
 
Bandeira Processional (estandarte) composta por duas pinturas a óleo sobre suporte de tela […].
 
 
TEMAS REPRESENTADOS
 
São representados dois temas distintos. Numa das faces da bandeira é representada “Nossa Senhora Mãe de Misericórdia” e na outra face 
é representado o tema “Nossa Senhora da Piedade” (fig 1 e 2).
 
 
ESTUDO ICONOGRÁFICO
 
O tema representado na face frontal da bandeira processional “Nossa Senhora Mãe de Misericórdia” ou Matter Omnium (mãe dos homens) aparece em todas as representações das Santas Casas portuguesas como símbolo padronizado e absoluto da instituição. 
A by Browser AdBlocker"> partir de 1500, a composição artística de Nossa Senhora das Misericórdias – centrada na Virgem Maria que, em pose imaculista, abre o seu amplo manto azul a fim de abrigar no seu seio os representantes de todas as classes sociais, desde o clero secular e regular aos estratos do poder temporal, ou seja, à grande e pequena nobreza, à burguesia local, aos soldados, aos mercadores, aos homens de ofícios, aos presos, aos cativos e aos depauperados *1 (fig. 1).
 
Porém, é a by Browser AdBlocker"> partir de 1576 que as bandeiras da Misericórdia passaram a exibir um Rei e uma Rainha, em memória de D. Leonor e de D. Manuel “como primeiros irmãos desta Irmandade”, e um religioso da SS. Trindade, de joelhos e mãos postas ou levantadas com estas letras – FMI – que querem dizer Frei Miguel Instituidor *2. 

Frei Miguel de Contreiras tem um papel actuante junto da Rainha D. Leonor como seu conselheiro e confessor (fig. 3).
 
Enquanto que num dos lados das bandeiras das Misericórdias era representada a Virgem do Manto, no outro lado é representado, a by Browser AdBlocker"> partir de 1574, “Nossa Senhora da Piedade” (fig. 2).
 
Este tema surge porque a primeira sede da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa foi instalada na capela de Nossa Senhora da Piedade da Terra Solta, no claustro da Sé Catedral olisiponense. “… «a imagem de Nossa Senhora com o filho Santíssimo emseus braços era o brasão d’aquela devota irmandade, intitulada da Piedade»” *3 (fig.4).
 
Assim, depois do Concílio de Trento, por particular iniciativa dos trinitários de Lisboa, com o assentimento do Provedor da Misericórdia da capital, ao tempo de D. Dinis de Lencastre, o tema duplo da “Nossa Senhora da Misericórdia” e “Nossa Senhora da Piedade” é oficializado como representações tipificadas nas duas faces da chamada “Bandeira Real” que era obrigatório existisse em todas as Santas Casas, destinada a presidir às cerimónias mais importantes da sua existência *4.
 
 
 
DIMENSÕES
 
104 x 80 cm
 
 
AUTOR
 
Ambas as pinturas encontram-se assinadas no canto inferior esquerdo Almeida Dias Viseu (fig.5).
 
Apesar dos by Browser AdBlocker"> contactos estabelecidos até à data de realização deste relatório, não foi possível by Browser AdBlocker"> recolher qualquer informação referente ao autor das pinturas […]. Porém, a bandeira em estudo revela ser uma cópia fiel da bandeira processional pertencente à Santa Casa da Misericórdia de Viseu, executada entre 1826 – 1831 pelo célebre pintor de Viseu, José de Almeida Furtado (1778 – 1831), o Gata, como era normalmente conhecido *5.
 
[…] Não foi, contudo, possível estabelecer-se qualquer relação entre José de Almeida Furtado, o Gata, (autor da bandeira processional da Santa Casa da Misericórdia de Viseu) e Almeida Dias (autor da bandeira processional da Santa Casa da Misericórdia das Velas), certamente também de Viseu. 
As obras do primeiro não se encontram datadas e raramente são assinadas *7.
 
 
 
DATAÇÃO
 
Século XIX – XX (?)
 
 
PROVENIÊNCIA ORIGINAL

Viseu (?)
  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 






*1 – Victor Serrão, “Sobre a iconografia da Mater Omnium: a pintura de intuitos assistenciais  nas Misericórdias durante século XVI, in:Misericórdias Cinco Séculos, OCEANOS, p.135.
*2 – Ivo Carneiro de Sousa, V  Centenário das Misericórdias Portuguesas, p.40.
*3 – Vitor Serrão, op. cit., p.139.
*4 – Idem, ibidem.
*5 – A Arte em Família –  Os Almeidas Furtado (catálogo),  p.71.
*6 – Idem, op. cit., p.25.
*7 – Um estudo comparativo, mais cuidado, entre as duas obras, implica observação da técnica utilizada em ambas as
pinturas através de exame de reflectografia de I.V e/ou radio-grafia, e identificação de materiais (pigmentos e aglutinantes), 
através de análise micro--química (mediante recolha de amostras).
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NOTA
 
Esta análise foi retirada do Relatório Final "Estudo e Tratamento de Conservação e Restauro, realizado pela técnica Marta Bretão, em Outubro de 2000