1543 - 2015   471 Anos de História
Santa Casa da Misericórdia das Velas

 

       
 
 
       
 
Mensagem do Provedor
 
 
Se bem que a história coletiva das Velas e de São Jorge, não comece com o “Auto Inicial da Santa Confraria da Misericórdia das Velas”, este representou um passo importante no relacionamento social e nas “novas oportunidades”, que se abriram para que o sol, embora com intensidades diferenciadas, “nascesse para todos”.
 
E o nosso percurso histórico prosseguiu com muitos “autos iniciais” e com pouca perseverança na sua continuidade.
 
Equiparámo-nos aos melhores nas iniciativas. Falhámos em muitos dos passos seguintes, mas nem em tudo tivemos iniciativa nem, noutros casos, nos faltou a perseverança.
 
E assim se fez a história da Ilha e do Concelho.
 
Com os altos e baixos comuns à Humanidade, com a fertilidade e as adversidades que a Ilha nos foi oferecendo, com a vontade a arritmia que o Jorgense lhe foi imprimindo.
 
Amarrados a este rochedo draconiano, feito Ilha, sempre na expetativa do seu acordar violento, revirámos as suas entranhas quando adormecido e apascentámos docemente, no seu dorso, a carne e o leite do nosso sustento.
 
Também para seu sustento (e dos que ficaram com vontade de sair), muitos tiveram que partir (com vontade de ficar), regando a saudade com as sacas de roupa que mandavam e com os dólares dentro das “mal escrevinhadas linhas” que umas e outras acompanhavam.
 
E por aqui, os que teimosamente se aferraram ao basalto e navegaram ondas da temperança, se foi trocano peixe por batata ou inhame; pão duro, no aquecimento da cozedura recente da vizinha; a sacha dos milhos por “lavoeira” (já feita ou a fazer); as “esteiras de junco” da outra ponta da ilha pelo trigo deste lado.
 

Os artesãos, trocando o seu trabalho autónomo pelo estatuto social e presença secundária na governança (“será sempre um homem da governança, outro oficial mecânico” na Misericórdia e, para as procissões de El-Rei, incluindo mais tarde a de S. Jorge, “cada ofício dará dois membros: o despectivo juiz, com a vara, e um oficial, a bandeira”) fizeram a ponte entre a plebe e o poder.